Quinta-feira, 11 de Maio de 2006

Um aviso à navegação e ao antigo 7ºA

Caros amigos alunos e alunas:

Fui avisado pelo servidor que, neste caso, é o Sapo que nos alojou durante alguns tempos e que agradecemos muito, que não vínhamos aqui há precisamente 75 dias. Ora acontece que depois da nossa disciplina de Área de Projecto, nos mudámos, com a nossa capacidade de trabalho e argumentação histórica, para o Esas História  www.esashistoria.blogs.sapo.pt  .

Assim, é possível que estejamos mesmo no fim da linha, ou seja, que mesmo com este artigo que aguentará mais um pouco o blogue, o fim será quase certo. A seu tempo irei dar-vos a minha retribuição, que no fundo é o meu grande obrigado, por alunos tão espectaculares que deram a alma a este projecto. Mas fim é fim e gostaria de vos avisar que podem gravar nos vossos cd's em computador este blogue para mais tarde recordarem. É uma ideia, mas um trabalho tão bom não deve ser esquecido, não é?

Um grande abraço

António Luís Catarino

publicado por António Luís Catarino às 20:08
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Domingo, 19 de Fevereiro de 2006

SOBRE A METODOLOGIA E PRÁTICA HISTÓRICAS.

aponta.jpg

1. Apontamentos.
O caderno de apontamentos é um sistema mais velho do que o próprio papel, e por isso não é claramente a última maravilha da técnica moderna, mas é ainda muito útil, sobretudo se for utilizado para criar fichas.

O caderno tanto serve para transcrever passagens de livros ou artigos de revistas, como para tirar apontamentos das aulas.

Deve-se ter em conta algumas regras para se aproveitar ao máximo o caderno de apontamentos.

1) Escrever unicamente na página direita e de um só lado da folha. A página da esquerda fica livre para pequenos apontamentos pessoais. A folha deve ter uma linha vertical com um mínimo de três centímetros da margem direita, mas pode ser a meio da página.

2) Usar, sempre que possível, cadernos com lombada em vez dos com espirais, porque permitem arrumar os cadernos como livros nas estantes, podendo ser encontrados por leitura da lombada. Quando se não encontrar cadernos nestas condições, há métodos de criar cadernos com lombadas, como sejam a encadernação a quente de folhas soltas, ou a junção das folhas soltas por meio de «baguetes», que as há tanto com bordo redondo como com bordo direito.

3) O utilizar cadernos pautados, quadriculados ou lisos, é uma questão de gosto. Os cadernos pautados tendem a ser os mais limpos, porque obrigam a uma maior disciplina de escrita, e não são bons para serem desenhados. Os cadernos de folhas lisas são mais arejados mas, sobretudo para os estudantes, tem tendência a serem profusamente "ilustrados" e as notas estão longe se ser escritas em linhas rectas e paralelas ! Os quadriculados servem para tudo.

4) Quando se está a tirar notas das aulas, devemo-nos lembrar que não estamos a tirar um curso de estenografia, mas a tentar apreender o que o professor tem para nos dizer, sobre a matéria que está a ser dada na aula. Isto é, o fundamental não é escrever TUDO o que o professor diz, mas O ESSENCIAL do que o professor disse. Aqui está a dificuldade.

As notas não deve ser tiradas escrevendo continuamente. Devem ser escritas em secções curtas, e deixando espaços entre eles para se poder escrever neles mais tarde, completando coisas que nos escaparam e que mais tarde nos lembramos, seja porque o professor falou novamente no assunto, na própria aula ou numa posterior, ou pelo nosso próprio estudo. Podem servir para se dar títulos às secções - de acordo com os sumários das aulas, por exemplo. Se, quando se reler as notas, houver dúvidas, é preciso acabar com elas rapidamente, pedindo ao professor, na aula seguinte, para explicitar o que afirmou e que se não percebeu, ou se transcreveu mal. O professor não fará mais que a obrigação dele, e possivelmente fica-se a compreender de vez o ponto abordado ! Isto implica uma leitura dos apontamentos antes da aula seguinte.

5) Deve-se reescrever os apontamentos o menos possível, porque é tempo muitas vezes mal gasto. Para isso é que é bom ter o caderno dividido em duas partes iguais. A divisão permite completar, na coluna da direita, o que se escreveu na coluna da esquerda, devido ao estudo, assim como para melhorar o que se escreveu, etc.

6) Quando se está a copiar um livro ou um artigo, deve-se começar por fazer a ficha bibliográfica no começo da cópia. Deve-se evitar as transcrições demasiado longas, sendo preferível resumos ou mesmo sínteses, mas tudo depende do que se pretende com a leitura. As reflexões pessoais são importantes, mesmo que nos possam fazer corar uns anos mais tarde !

É essencial separar as transcrições das paráfrases e das notas pessoais. As transcrições devem estar escritas entre «aspas». As anotações pessoais entre [ parênteses rectos ]. Se, quando se está a escrever o trabalho, houver alguma espécie de dúvida sobre o que é transcrição e o que é nota, então a ficha não serviu para nada porque, para a utilizar, tem que se confirmar o que se escreveu nela confrontando com o original. E se não se puder confirmar ...? (v. Fichas de Leitura)

7) Deixem 2 a 4 folhas livres no princípio do caderno para criar um índice, enquanto se vai tirando os apontamentos, e numerem as folhas frontais (ou da direita). Os números serão xf (x = nº da folha, f de frente) e xv (x = nº, v de verso).

Fonte:
Adelino Torres
O Método no Estudo
Lisboa, A Regra do Jogo, 1980
publicado por António Luís Catarino às 13:08
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Sábado, 7 de Janeiro de 2006

Olha!, mais uma revista sobre Educação!

pontosnosii.jpg

Repetidas vezes eleita como prioridade nacional, sempre remetida para planos menores, a Educação arrasta-se na mediocridade das políticas de gestão corrente. Inconformados com este estado de coisas, criámos

É um órgão de informação especializado em Educação, que se guia por critérios de rigor e independência.

Pretende dinamizar o debate das grandes questões educacionais que se colocam à sociedade, porque acredita que não há democracias fortes sem a participação dos cidadãos.

Estará à sua disposição na 2ª terça–feira de cada mês, com o jornal Público.

Visite o nosso website www.pontosnosii.pt
publicado por António Luís Catarino às 21:49
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Quinta-feira, 8 de Dezembro de 2005

DESCOBERTO CEMITÉRIO ROMANO, SIC Notícias. 7/12/2005

sic_cemiterio_romano_descoberto.jpg
Monumento subterrâneo do Século II d.C. em Roma

Um cemitério romano subterrâneo do Século II d.C. foi descoberto em Roma por arqueólogos italianos.

O monumento, que pertence a um período dourado da Roma Antiga, que tinha Marco Aurélio como imperador, possui cinco túmulos.
“Foi uma descoberta muito emocionante, diria até que é uma experiência única na vida”, disse um dos arqueólogos da equipa, Andrea Iannaccone.
“Os túmulos estão intactos e selados. No entanto, as condições não são excelentes, porque a terra desta zona é muito ácida e o mármore dos sarcófagos já está muito danificado”.

Apesar dos danos, os arqueólogos esperam que dentro dos túmulos, além dos restos mortais, ainda haja objectos pessoais.
Os arqueólogos começaram a trabalhar na zona há já alguns meses. Primeiramente, encontraram uma estrada danificada, um tanque de água e algumas sepulturas rasas.
Posteriormente, escavaram mais baixo e descobriram o túmulo de uma família.
Pela forma da primeira pedra encontrada, tudo indica tratar-se de um casal. Como a sepultura ao lado é pequena, pensa-se que terá pertencido a uma criança.
Os arqueólogos esperam descobrir mais túmulos, isto se conseguirem mais tempo e dinheiro para uma busca mais completa na zona.
publicado por António Luís Catarino às 13:57
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Segunda-feira, 14 de Novembro de 2005

ATENÇÃO A ESTE FILME HISTÓRICO. A estrear nas salas de cinema, em breve.

poster_pontesluis.jpg
A Ponte de São Luís Rei

Adaptação do romance homónimo de Thornton Wilder vencedor do prémio Pulitzer em 1928, A Ponte de São Luís Rei, leva-nos dos bordéis e teatros do Séc. XVII à majestosa corte real espanhola; transporta-nos dos palácios dos arcebispos peruanos às missões da inquisição de Madrid. Na jovem América, os santuários Incas elevam-se entre as vilas dos Andes e os desfiladeiros da costa Americana.

É neste mundo em mudança que, acidentalmente (talvez não), cinco viajantes aparentemente sem qualquer ligação entre si acabam unidos num mesmo destino. Cinco viajantes que, por diferentes razões, atravessam a Ponte de São Luís Rei, quando, ao meio dia, no fatídico dia 20 de Julho de 1714, a ponte desaba precipitando-os para morte ao fazê-los mergulhar profundo desfiladeiro em baixo dela.

Foi o destino ou a mão de Deus que os juntou naquele dia fatal, naquele sítio e aquela hora? Ou foram, de alguma forma, responsáveis pelo que lhes aconteceu?


Ficha técnica:
Título: A Ponte de São Luís Rei
Título original: The Bridge of San Luis Rey
Realizador: Mary McGuckian
Origem: Espanha, França e Reino Unido, 2005
Género: Drama histórico
Elenco: Robert de Niro, Kathy Bates, Harvey Keitel, Gabriel Byrne.
publicado por António Luís Catarino às 18:18
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Terça-feira, 11 de Outubro de 2005

UMA PROPOSTA DE FIM-DE-SEMANA - OS IRMÃOS GRIMM NO CINEMA!

Grimm

Realização: Terry Gilliam Com: Matt Damon, Heath Ledger, Monica Bellucci, Charles Roven
Site Oficial: The Brothers Grimm
Género: Aventura
Distribuição: Castello Lopes
EUA/República Checa, 2005
105 min


NÃO HÁ PRAGA QUE NÃO SE REVERTA
NÃO HÁ FEITIÇO QUE NÃO SE QUEBRE
NÃO HÁ DEMÓNIO QUE NÃO SEJA EXTERMINADO

Do aclamado realizador Terry Gilliam ( "O Rei Pescador", "12 Macacos") chega-nos “Os Irmãos Grimm”, a aventura dos lendários escritores de contos de fadas, Will e Jake Grimm (Matt Damon e Heath Ledger).

A história de dois irmãos que viajam por terras napoleónicas, no início do século XIX, fingindo que livram os habitantes das povoações de monstros e demónios em troco de dinheiro fácil.

Mas quando são chamados pelas autoridades francesas para desvendar o misterioso desaparecimento de umas jovens, os charlatães vêem-se forçados a enfrentar forças malignas reais.

Muitos dos célebres contos de fadas, incluindo Cinderela, Hansel & Gretel - a Casinha de Chocolate e O Capuchinho Vermelho, são envolvidos magnificamente no filme tal como os seus autores, os Irmãos Grimm, que são forçados a confrontá-los numa épica batalha entre fantasia e realidade.

(artigo retirado do Sapo)
publicado por António Luís Catarino às 12:19
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Domingo, 11 de Setembro de 2005

CALENDÁRIO ESCOLAR 2005/2006

calendant.jpg

Calendário Escolar

O calendário escolar para os Ensino Básico e Secundário, no ano lectivo de 2005-2006, é o constante do esquema que segue:

1.º período - início entre 12 e 16 de Setembro de 2005 (as aulas depois de iniciadas não podem ser interrompidas);
- termo em 16 de Dezembro de 2005

2.º período - início em 2 de Janeiro de 2006;
- termo em 31 de Março de 2006

3.º período - início em 18 de Abril de 2006;
- termo a partir de 9 de Junho de 2006, para os 9.º e 12.º anos, e de 23 de Junho de 2006, para os restantes anos de escolaridade.


As interrupções das actividades lectivas, no ano lectivo de 2005-2006, são as constantes do esquema seguinte:

1.ª interrupção - de 19 a 30 de Dezembro de 2005
2.ª interrupção - de 27 de Fevereiro a 1 de Março de 2006
3.ª interrupção - de 3 a 17 de Abril de 2006
publicado por António Luís Catarino às 23:54
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Crianças, telemóveis e o desaparecimento da infância (Página da Educação, nº 148)

telm.jpg

Desculpem o «sotaque» brasileiro, mas a importância do artigo ultrapassa essa pequena questão.
Crianças, telemóveis e o desaparecimento da infância
A vida do século XXI está sendo invadida, saturada, por uma nova engenhoca eletrônica intrometida e barulhenta — o telemóvel(1). Uma das importantes repercussões desta tecnologia nos atuais modos de vida pode ser observada no universo infantil, e há que se pensar nela.
Em 1984, no instigante livro O desaparecimento da infância, Neil Postman apresenta a polêmica hipótese do fim da infância. A argumentação central repousa na idéia de que as tecnologias têm desenhado e redesenhado as faces do mundo e da vida ao longo da história, sendo a infância uma de suas invenções. A concepção que temos hoje de infância — como uma fase da vida distinta daquela das pessoas adultas — vai surgir na Renascença, em conseqüência da invenção, duzentos anos antes, no século XV, da prensa tipográfica. Ao longo desse período, a revolução promovida pela palavra impressa desencadeia novas exigências que vão estabelecer limites bem demarcados entre crianças e adultos, passando-se a admitir a infância como algo da ordem natural das coisas. Um exemplo disso é a alfabetização, que vai multiplicar as escolas e hierarquizar o conhecimento por idade. Assim como a idéia de infância delineou-se ao longo do surgimento e consolidação da Modernidade, produzida pela imprensa e pela cultura letrada, hoje, as novas tecnologias que possibilitam a comunicação instantânea centrada nas imagens em movimento estariam instaurando novas formas de vida e novos contornos do que chamamos humanidade. Desenvolvendo a hipótese de que os mundos social e simbólico estão subordinados às tecnologias, e delas emergem as formas de viver e estar no mundo, Postman procura demonstrar que a informação eletrônica estaria erodindo as fronteiras tão bem demarcadas entre adultos e crianças. A televisão — que só requer habilidades simples como atenção e entendimento da fala, em geral adquiridos já no primeiro ano de vida — seria a principal tecnologia a produzir tal efeito. Importa sublinhar que Postman desenvolveu suas hipóteses nos EUA dos anos oitenta, e que os vinte anos que nos separam de seu trabalho inicial parecem ter sido suficientes para aportar entre nós, latino-americanos e europeus, evidências contundentes da pertinência de seu pensamento. Basta habitar a cena contemporânea para nos darmos conta do crescente contingente de pessoas indiferenciadas no vestir, nos hábitos alimentares, nas diversões, no padrão lingüístico, nas opções de lazer, nas formas de erotismo, nas atitudes mentais e emocionais, no uso da violência. Parece que já habitamos um tempo de crianças adultas e de adultos infantis, e a mídia tem sido pródiga em nos mostrar isso. Mães que se vestem como as filhas, executivos e intelectuais fanáticos pelos heróis midiáticos infantis do momento (observem quantos pais circulam por aí envergando camisetas do Batman ou do Homem-Aranha), idosos que saltam de pára-quedas e garotas que circulam sozinhas nas madrugadas das grandes metrópoles, crianças que ensinam seus pais a operarem complexos equipamentos eletrônicos e adultos incapazes de administrar suas vidas são apenas alguns exemplos mostrados pelos programas de TV, pelas propagandas, pelas notícias, pelas telenovelas, etc.
Pois bem, dados que temos coletado no Brasil e em Portugal, têm nos mostrado os telemóveis implicados nesta revolução cultural tendente, no século XXI, à indiferenciação das fases da vida. Crianças desde as bem pequenas e jovens de todas as idades têm encontrado no uso dos telemóveis um espaço de independência do mundo adulto, historicamente construído como aquele capaz de balizar e moldar o padrão de vida infantil, bem como seus caminhos em direção à tão decantada maioridade. Em conversas com crianças, mães e professoras, soubemos que a grande maioria das crianças (portuguesas e brasileiras) de todas as classes sociais portam telemóveis, dos mais simples aos mais avançados tecnologicamente. Observamos também que embora a justificativa mais difundida para possuir ou ofertar telemóveis seja a do contato entre pais e filhos, esta é a finalidade mais banal de sua utilização. A maior parte das crianças declara que não pode dispensá-los porque são a melhor forma de ter e manter amigos, com os quais trocam idéias, aconselham-se, desabafam e vivem seu cotidiano. Uma grande parte delas também declarou usar telemóveis para informar-se, jogar, assistir vídeos e ouvir suas bandas favoritas, completamente resguardados de qualquer interferência (ou influência!) dos adultos. A partir dos seis anos, os meninos já usam os telemóveis para abordar temas picantes, aumentando suas informações relativamente àquele espaço privativo dos adultos e interdito à infância moderna — o da sexualidade.
Como se vê, por mais controvertidas que sejam, parece que as hipóteses de Postman se confirmam, e a tecnologia tem sido central na reconfiguração da vida e dos sentimentos nesta nova era. A infância como a fase da inocência, da dependência, da insegurança e da ignorância dos segredos do mundo e da vida parece que está a desaparecer. Tudo isso merece ser refletido não só por nós, educadores, mas por todas as pessoas que vêem, cada vez mais, as tecnologias embutidas em suas vidas.
Nota:
(1) Utilizamos o termo corrente em Portugal para designar o aparelho que, no Brasil, conhecemos como celular.

Referências bibliográficas

Postman, Neil. Tecnopólio – a rendição da cultura à tecnologia. Trad. Reinaldo Guarany. São Paulo: Nobel, 1994.
O desaparecimento da infância. Trad. De Susana Carvalho e José de Melo. Rio de Janeiro: Graphia, 1999.
publicado por António Luís Catarino às 23:42
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Segunda-feira, 22 de Agosto de 2005

UM FILME A NÃO PERDER: «Charlie e a Fábrica de Chocolate» de Tim Burton

charliesfactory_xl.jpg

Pessoal: isto é mesmo sério. Um dia destes (foi ontem!), resolvi, em pleno gozo de férias ir ver «Charlie e a Fábrica de Chocolate» de Tim Burton, apostando com a minha filha que seria um filme vulgar igual a tantos outros... enfim, uma perda de tempo! Pois bem, nada de mais errado. Este foi dos melhores filmes que já vi vindos daquele lado do Atlântico. Toda a descrição do filme será muito redutora, mas todos os problemas de uma sociedade actual estão lá muito bem tratados por Tim Burton que sem ser de uma forma falsamente hipócrita ou moralista fala cara a cara com os jovens como eles merecem - ou seja, de uma forma inteligente. Ah, já me esquecia.. e com uma interpretação magnífica de Johnny Depp no papel principal. Ah e já me esquecia de novo... o suporte musical do filme - soberbo. Aproveitem os dias que vos restam e 'bora lá ver este filme - já!

Um abraço a todos do vosso prof.

Cinemas: Cidade do Porto, Dolce Vita, Parque Nascente, Norteshoping, Gaiashoping, Arrábida...

Ficha Técnica:

Columbia TriStar Warner apresenta, um filme de Tim Burton com Johnny Depp, Freddie Highmore, David Kelly, Helena Bonham Carter, Noah Taylor, Christopher Lee, James Fox....
publicado por António Luís Catarino às 02:12
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Segunda-feira, 1 de Agosto de 2005

GRAFFITI: UM CRIME DE ARTE? Jorge Silva

graf.jpg

"Alguns nascem com ela. Outros nunca a encontrarão. Outros descobrem-na ao longo da vida. Para mim, foi uma estrada turtuosa que me levou a várias formas de vida: de 'hobby' em 'hobby', de "major" em "major", de trabalho em trabalho. No início dos anos noventa, dei-me finalmente conta da minha paixão."
Taeko 170, graffiter nova-iorquino
Quando nos final dos anos sessenta e princípio de setenta alguns miúdos começaram a rabiscar as paredes das casas de banho ou o interior das carruagens do metropolitano nova-iorquino, com os seus próprios nomes ou o nome dos 'gangs' ao qual pertenciam, mal podiam saber que estavam a criar uma nova disciplina no mundo da arte. Apesar do graffiti - do grego "graphein" e do latim "graffito" (desenho ou rabisco numa superfície) - ter já referências na Roma antiga, o termo contemporâneo designa a inscrição de mensagens clandestinas, sobretudo nas paredes e no mobiliário urbano, que podem ir de simples monogramas de uma cor até composições mais elaboradas e de diferentes matizes.
Susan Phillips, investigadora da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA)1 , define o graffiti como uma transmissão de mensagens de carácter "secreto" ou "oculto" - dirigidas a uma comunidade já familiarizada com os seus códigos e símbolos estéticos próprios - e considera-o uma forma de arte pelo facto de possuir cargas simbólicas e formas estéticas baseadas num código de grupo que ultrapassam temporalmente a existência do próprio grupo ou dos indivíduos a ele ligados. Nesse sentido também, o graffiti não deve ser entendido isoladamente mas sim como parte integrante de uma cultura de rua mais vasta que inclui música - 'hip-hop' e 'rap' - e dança - 'breakdance'.
Ainda de acordo com aquela investigadora, o graffiti é uma arte culturalmente cruzada que pode dar origem a três géneros de expressão: o graffiti político e social, que se pode combinar com outras formas de expressão gráficas como fanzines, murais ou mostras de arte, representando o trabalho de indivíduos ou grupos políticos contestatários; o graffiti dos "gangs", utilizado por estes grupos de rua como marcas territoriais nas áreas urbanas, associadas a outras formas acessórias de arte como tatuagens ou estilos de roupa que identificam "práticas sociais e económicas ilegítimas" que vão além do graffiti propriamente dito; e finalmente o género de graffiti mais difundido: o chamado "estilo Nova York", ou "Hip-Hop" (termo que deriva do género musical), que se espalhou pelas cidades norte-americanas e pelo resto do mundo, sobretudo na europa, a partir dos anos 70.
Não se sabe exactamente quando o graffiti contemporâneo se tornou uma arte no sentido estrito do termo. Talvez a partir do momento em que transpôs as ruas e passou a poder ser apreciado nas galerias de arte ou em colecções particulares, mas o facto é que teve origem e se desenvolveu nas zonas degradadas da cidade de Nova York. No início eram apenas assinaturas ('tags') feitas em locais públicos com boa visibilidade, prática que originou o termo 'Writer' - não literalmente escritor, mas mais qualquer coisa como rabiscador. "Taki 183", pseudónimo de um nova iorquino de ascendência grega que se notabilizou por ter sido o primeiro a espalhar de forma sistemática o seu 'tag' pelo espaço urbano, chegou inclusivamente a ser entrevistado por jornais como o "New York Times".
A partir dessa altura o movimento não parou e deu origem a formas aperfeiçoadas de 'tags', que foram evoluindo para formatos maiores, trabalhados em várias cores, até se chegar às autênticas telas ('pieces' - termo abreviado que deriva da palavra "masterpiece", ou obra de arte) de rua que se podem apreciar em várias cidades do mundo. Algumas delas podem ser vistas em sites como www.artcrimes.com, onde se percebe porque razão o grafitti, como argumenta Susan Phillips, pode ser entendido como uma forma de arte.

Arte ou um crime?
É neste contexto que, mais do que se legitimar como uma forma de arte - a partir do momento em que artistas como Keith Haring transpuseram as suas obras clandestinas para galerias e colecções particulares dos Estados Unidos essa deixou de ser uma preocupação - a discussão se centre actualmente em questões mais particulares tais como se o vandalismo (como o graffiti é encarado do ponto de vista legal) pode ser considerado uma forma de arte ou se o graffiti poderá continuar a ser entendido como tal se for feito numa base legal.
"Legalizar o graffiti através da criação de muros especificamente destinados para a pintura não é a solução, porque há-se haver sempre quem queira pintar em locais "ilegais", explica "Biph" (leia-se bif), pseudónimo de um 'writer' do Porto. Ao seu lado, "Odd", uma das poucas raparigas que na cidade integra um grupo de 'writers", ou 'crew', refere que a ilegalidade é a sua própria "essência" e que regulamentá-lo seria destrui-lo. Ou como argumenta "Neck", pseudónimo de um dos mais conhecidos graffiters alemães: "a pintura ilegal faz parte desta cultura".
A apropriação do espaço público como meio de divulgar mensagens é em tudo semelhante aos murais de rua que se desenvolveram com a revolução russa de 1917, cujo "leit-motiv", porém, residia na mensagem política, e se estenderam ao longo das décadas a países como Portugal. Mas ao contrário do que acontecia nos anos anteriores e após a revolução do 25 do Abril, os murais em Portugal deixaram praticamente de ter uma conotação política e passaram a estar associados a imagens e mensagens generalistas e/ou individualistas, como é o exemplo do graffiti. "Essa mensagem política perdeu-se porque se calhar também se perdeu um pouco da consciência política que caracterizava esse período", opina odd. "Não faz sentido confundir grafitti com murais, nomeadamente políticos, já que o grafitti restringe-se habitualmente ao espaço que rodeia o "writer. A única semelhança é estarem pintados numa parede ", diz.
Mas as diferenças entre os murais e o graffiti não se restringem apenas ao nível do conteúdo. As técnicas também mudaram: da tinta e do pincel passou-se ao spray, mais limpo, rápido e fácil de camuflar do que os primeiros. Com as latas de spray desenvolveram-se igualmente os apetrechos que permitem criar diferentes estilos de pintura - em tudo semelhantes aos diferentes tipos de pincéis utilizados nos murais -, que se encontram incorporados nos vários aerossois à venda no mercado: os difusores de tinta, ou 'caps', que podem ser adaptados conforme se pretenda desenhar um traço mais largo ou mais fino. Em alguns países onde esta arte está mais divulgada, o mercado de 'caps' pode ser bastante lucrativo.
Curiosamente, e de acordo com a definição que lhe dá Susan Phillips, usar tinta ou dispor de uma parede não constitui uma limitação à produção de um graffiti. Um nome ou um ícone desenhados a dedo numa janela ou parede sujas pode igualmente ser entendido como tal, a partir do momento em que se faz uma "tentativa de criar uma composição coerente". Afinal, o objectivo primordial do grafitti é "ter um estilo", explica "Biph". "Não um estilo em vão, mas um estilo pessoal que se reflecte naquilo que se faz", "Odd", por seu lado, define o graffiti como uma "motivação" para "melhorar os espaços degradados das cidades" e "personalizar o espaço que nos rodeia". Então, porque razões proliferam mais 'tags' (vistos pela maioria das pessoas como apenas rabiscos) do que pinturas que acrescentem forma e cor à paisagem urbana? "As pessoas hoje em dia têm falta de senso comum e abusam do seu poder, neste caso do poder de transmissão de uma mensagem" explica biph.
Uma "abuso de poder" com a qual Cândido Coutinho, escultor, projectista e entusiasta da arte pública, não concorda. "Um mural seria um bom pretexto para, no âmbito da arte pública, que agrupa diversas correntes e expressões, valorizar o património e a paisagem". Porém, "os rabiscos que se vêm pela cidade são tudo menos isso". Tal como acontece com os murais de azulejo, que são encomendados para embelezar o espaço público, a pintura, na sua opinião, poderia ser um excelente veículo de promoção estética do espaço urbano e não-urbano. Para tal, diz, seria tão só necessário regulamentar a actividade e dotá-la de regras, como concursos de ideias, e locais próprios para as executar.

O factor adrenalina
Ao longo dos tempos, só um aspecto se manteve inalterável nas pinturas murais, independentemente do seu género: a perseguição das autoridades - baseada, claro está, na legislação vigente - a quem não procura mais do que trazer um pouco de arte ao quotidiano cinzento das cidades. Foi o que se verificou numa noite em que surgiu o convite para acompanhar a realização de uma pintura. O cenário era um muro de quase vinte metros numa das ruas mais movimentadas do Porto, e, portanto, onde seria difícil camuflar a actividade. O grupo encontrou-se às três da manhã com elementos de um outro colectivo que tinha pintado o muro ao lado na semana anterior. O motivo era comum: chamar a atenção para a progressiva degradação de uma casa do início do século XX, que estará, ao que tudo indica, prestes a sucumbir à pressão imobiliária.
Ao todo, reúnem-se para cima de vinte pessoas no pequeno largo fronteiro ao local da realização do trabalho. Cerca de metade irá vigiar as ruas circundantes de forma a poder alertar, via telemóvel, da passagem da polícia. Um dos elementos do grupo percorrerá de mota cada um dos postos de observação para garantir que nada falhe. Outros ainda vão filmar a pintura, cuja mensagem ("Um dia a cultura vem abaixo") alude ao facto de a preservação do património - numa altura em que o Porto é uma das cidades capitais da cultura - também poder ser uma forma de cultura.
Por volta das 03,30 dá-se início ao trabalho. Tudo está perfeitamente organizado: enquanto um desenha os contornos das letras, outros dois preenchem o interior e um quarto dá o contorno definitivo a negro. Dá a impressão de se tratar de operários numa fábrica de imagens, tal é o método e a precisão com que trabalham. A certa altura um dos telemóveis toca. "Vem aí a polícia!", alguém alerta. Nessa altura cada um foge para onde pode e atira-se as latas de spray para o interior do quintal da casa como forma de fazer desaparecer as "armas do crime". Depois da adrenalina, retoma-se o trabalho como se nada se tivesse passado.
Quase no final, acertam-se os pormenores e dão-se os toques finais na autêntica tela em que se transformou um muro cinzento e gasto. A operação poderia ter sido mais simples não fosse o facto de os artistas terem sido alertados durante seis vezes para a passagem das autoridades policiais, duas das quais se revelaram ser falsos alarmes. No Porto, conta Biph, a polícia não é tão incisiva como na capital. Em Lisboa, explica, "têm um ficheiro com os murais e os nomes dos autores". A arte desenvolveu-se a tal ponto na capital que existem artistas estrangeiros a apreciar o trabalho que por lá se faz e haja quem, como o líder do partido Popular, Paulo Portas, proponha a criminalização desta actividade.
Se no princípio era difícil, senão quase impossível, comprar latas de spray em quantidade e em diferentes tonalidades - "por vezes era necessário encomendar e esperar durante semanas para que chegasse material", refere Biph - e a alternativa era recorrer aos sprays de automóvel que se vendem nas drogarias e hipermercados, a partir de meados dos anos noventa, e principalmente em Lisboa, o mercado de aerossois destinados à pintura de rua começou a vulgarizar-se e é hoje um negócio em ascensão. E que prova que o graffiti está longe de acabar.
De facto, é crescente o número de clientes que utilizam esta técnica para embelezar o interior ou o exterior de estabelecimentos comerciais. Muitos 'writers' fazem dela, inclusivamente, uma actividade remunerada e lucrativa. Mas o reconhecimento público não se fica por aqui. Recentemente, "Biph", "Odd" e outro amigo pintaram, sob encomenda do conselho directivo, uma parede lateral de um pavilhão pré-fabricado de uma escola secundária da cidade. "Foi uma sensação fantástica saber que podíamos estar à vontade e que não estávamos a fazer nada de errado".
publicado por António Luís Catarino às 16:01
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